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 Rastreabilidade atesta a qualidade na produção vegetal

Conceitos de rastreabilidade e certificação foram incorporados ao agronegócio brasileiro nos últimos anos, mas ainda falta clareza sobre vantagens e custos para implantar estes procedimentos na produção. O assunto é um dos temas da 9ª Conferência Internacional de Proteção de Produtos Armazenados, que acontece de 15 a 18 de outubro, em Campinas, SP.

“A rastreabilidade da produção vegetal inicia na propriedade”, sentencia o especialista do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), João Nelson Gonçalves Rios. Para ele, o acompanhamento da produção exige que o produtor registre cada procedimento, desde o plantio, tratos culturais, até a saída da propriedade. Uma segunda etapa compete - na maioria das vezes, quando apenas 8% dos produtores brasileiros têm capacidade de armazenagem na propriedade – a cooperativas e traders, responsáveis pela comercialização dos grãos. “A maioria dos armazenadores exige o histórico do produto que está recebendo, já que a produção se organiza nos armazéns, de onde parte para a indústria e o varejo. Desta forma, a rastreabilidade permite maior segurança no processo, identificando falhas na produção”, explica Rios.

Para conseguir o reconhecimento de todos os elos da cadeia quanto à qualidade e a origem dos grãos, o produtor, muitas vezes de forma associativa, busca um certificado que ateste o sistema de produção em uso. É a certificação, concedida através de institutos e empresas privadas que prestam este tipo de serviço. Exemplos bem sucedidos neste processo são o café produzido em Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo, e a maçã no Rio Grande do Sul, produtos nobres de exportação.

Contudo, nem sempre a certificação é sinônimo de melhor remuneração. “A certificação é garantia de liquidez, principalmente porque conquista nichos de mercado”, explica o engenheiro agrônomo Horácio Schwochow, gerente de qualidade da Multigrain, uma empresa exportadora de grãos (trader) da região Centro-Oeste do Brasil, que oferece um sistema de Preservação de Identidade dos produtos com base na rastreabilidade. Segundo ele, características como grãos sem película, coloração mais clara ou teor de óleo colocam a soja brasileira no comércio internacional rapidamente, atendendo a preferência de mercados segmentados. “De qualquer forma, a soja rastreada e com certificação tem maior valor de mercado”, afirma Horácio, lembrando que “a grande vantagem da certificação é a garantia de qualidade que está embutida no produto. Alguém assume a responsabilidade pela qualidade do produto junto ao consumidor”, conclui ele.

Um dos vedetes da última safra de grãos brasileira foi certificar a soja não-transgênica, visando mercados mais conservadores. Entre os visionários deste novo mercado estava a COMIGO, que agrega cerca de 4.500 cooperados em Minas Gerais e Goiás. De acordo com o gerente operacional da COMIGO, Paulo Carneiro Junqueira, foram investidos 28 mil dólares para certificar uma única safra. Mais de 400 dólares somente com testes de transgênia. “A frustração no momento de comercialização foi enorme, porque o investimento não trouxe o retorno esperado na valorização de um produto diferenciado. É preciso cautela antes de apostar apenas num segmento do mercado”, conta Junqueira, avaliando que, ainda assim, determinar a origem da produção é indispensável: “Para sermos competitivos e eficientes na concorrência com gigantes nacionais e multinacionais precisamos acompanhar de perto a evolução da produção. O monitoramento permite projetar o crescimento e determinar os investimentos”, avalia Paulo Carneiro.
Para maior segurança no processo de certificação, os especialistas recomendam atenção às normas exigidas por mercados específicos, como as normas GMP-13 e os requisitos de ISO e HACCP, que avaliam o manuseio da soja desde a colheita até a chegada nos portos dos países europeus.

O tema “Preservação da Identidade e Rastreabilidade” integra a programação 9ª Conferência Internacional de Proteção de Produtos Armazenados, com a palestra de Thomaz Setti, da SL Alimentos. A palestra faz parte do painel “Modernização da Estrutura Armazenadora”, que acontece no dia 16 de outubro.


SERVIÇO
9ª Conferência Internacional de Proteção de Produtos Armazenados
Campinas, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2006

INSCRIÇÕES
Site do evento http://www.embrapa.br/9thIWCSPP

ORGANIZAÇÃO
A conferência é coordenada pelo International Permanent Committee. A promoção do evento no Brasil é do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A realização é da Associação Brasileira de Pós-colheita (ABRAPOS), com apoio de diversas instituições de pesquisa, universidades, consultores, indústrias de insumos e equipamentos, armazenadores e produtores rurais.

Assessoria de Comunicação
Julho de 2006
Joseani M. Antunes – Embrapa Trigo
54 3316-5860 joseani@cnpt.embrapa.br
Jonas Cavalcanti – CONAB
61 3312-6338 jonas.cavalcanti@conab.gov.br

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Promoção:                                                    Realização:
Associação Brasileira de Pós-Colheita Associação Brasileira de Pós-Colheita Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento

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